CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS DE CÃES NATURALMENTE INFECTADOS POR Leishmania sp.
Leishmaniose visceral, cães, sêmen, ultraestrutura espermática.
A leishmaniose visceral é uma antropozoonose de ampla distribuição mundial, descrita em vários países, com 90% dos casos ocorrendo no Brasil, especialmente na Região Nordeste. A transmissão da doença geralmente ocorre na presença do vetor, porém existem relatos na literatura sobre outras formas de transmissão. Em cães, a forma de transmissão venérea tem sido considerada provável, com relatos de que há eliminação deLeishmania sp. no sêmen, podendo ser observado também epididimite, orquite e degeneração testicular, consequentemente, reduzindo a qualidade espermática. Objetivou-se com este trabalho avaliar as características clínicas, laboratoriais e seminais de cães Sem Raça Definida (SRD) positivos para leishmaniose visceral canina (LVC). Os animais foram obtidos por meio da Gerência de Controle de Zoonoses (GEZOON) de Teresina, Piauí e levados para os canis do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde permaneceram durante o período de fevereiro a abril de 2014. Foram coletadas amostras de sangue e de sêmen de 12 cães, sendo 06 positivos (GI) e 06 negativos (GII) para a LVC, totalizando 01 mês de coletas. Os resultados demonstraram que animais com a doença apresentaram como sintomatologia clínica mais frequente a linfoadenomegalia (100%), seguido de onicogrifose (50%), lesões de pele e emagrecimento (33,3%), observados durante o período experimental. A anemia normocítica normocrômica (83,3%), trombocitopenia e monocitopenia (33,3%) foram os achados hematológicos mais frequentes nos animais com LVC. As análises bioquímicas revelaram alteração renal em dois dos animais positivos, já que houve aumento nos índices de ureia (88,5 e 63,4mg/dl), embora os índices de creatinina tenham se mantido normal entre os animais estudados. No final do experimento todos os animais do GI apresentaram hiperproteinemia associada a hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia. Quanto às características seminais foram avaliados parâmetros macroscópicos (volume, cor e aspecto) e microscópicos (motilidade total, vigor e patologias espermáticas), a fresco, refrigerado e congelado, havendo diferença significativa nos parâmetros de motilidade e vigor avaliados no sêmen fresco e refrigerado, porém no sêmen pós-congelado não houve diferença estatística nesses parâmetros, quando avaliados no teste de termorresistência. As patologias espermáticas avaliadas nos animais tiveram diferença significativa entre o GI e o GII quanto aos defeitos maiores e defeitos totais. De acordo com as análises de ultraestruturas espermáticas foram observadas diferenças estatísticas quanto à membrana plasmática e acrossomal, bem como quanto ao potencial mitocondrial das células espermáticas dos grupos experimentais. A testosterona se manteve dentro dos índices de normalidade nos animais estudados, não diferindo estatisticamente entre os grupos experimentais.